de Cecílio Purcino
Que tristeza é essa no meu coração que não para?
Não é a falta dos teus olhos a entrar em mim
Com tua chegada ao recinto,
Nem a falta de suas mãos factícias
A entrelaçarem às minhas,
E nem de tua boca a ditar os meus deveres do dia.
É o teu desejo íntimo, que é diferente do meu e
Que nos afasta pouco a pouco.
Que tristeza é essa no meu coração que não para?
Não é a falta dos teus lábios em minha boca,
Nem de teus braços em meu corpo e
Nem de tua língua em meu pescoço.
É a vida, que escolheu as pessoas a quem devo amar.
Que tristeza é essa no meu coração que não para?
Não é a falta de teu sussurro no pé do ouvido,
Nem de teu humor que me compraz ao fim do dia
E nem de teus dedos que não me transformam em harpa e lira.
É a razão, que sempre me segura para não me perder
Diante de ti.
Que tristeza é essa no meu coração que não para?
Não é a falta da sua presença que acontece por vezes ou outras,
Nem dos encontros rápidos e repentinos e
Nem de suas dúvidas que me ensinam
A falar de coisas que só outros sabem lá fora.
É porque ouvi hoje você listar seus amores
E o meu nome não estava entre eles.
Que tristeza é essa no meu coração que não para?
Não é a falta dos cabelos que não tenho,
Nem de teu belo corpo intocável,
Nem de teus belos olhos a me olharem de
Mancinho pelo reflexo do espelho e
Nem de teu sorriso a me pedir conselhos.
É o medo, de queimar essa linha
Que nos une e que nos molda.
Que tristeza é essa no meu coração que não para?Ah! Que tristeza é essa?
Não é a falta das tuas brincadeiras durante o dia,
Nem do gelo que tu me dá para por em águas quentes e
Nem da despedida com teu adeus no fim de
Uma longa tarde de exercícios.
É a dor, da vontade de saber
Se ao menos sequer te terei por um dia.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Casados, separados, mas unidos
Poema feito a dois de
Cecílio Purcino e Rui Cortes
O amor impossível, entre um homem mais velho e uma garota menor de idade
Eu acho que casaremos juntos,
Talvez unidos,
Talvez juntos e unidos,
Talvez nos casemos.
Cabelos brancos,
Corpo pouco esguio,
Pouca força,
Mas casados.
Sim, sempre me arrependi de ter te deixado passar
Como o rio que sempre passa, passa e passa
E de nunca ter aceitado o sabor da carne que tanto amo,
Os delírios constantes que tanto tenho,
E a beleza que tanto me atrai
E que dá movimento de mais aos corpos.
De repente nem me conheço mais,
O espelho que outrora refletia uma face jovem
Agora soletra um homem de algumas primaveras
Pouco feliz, muito feliz, amado, odiado
Contraditório em mim e nos outros.
Insisto no amor
Porque acredito nos lábios que me tocam,
Me deliram,
Me fascinam,
Mas eu te reconheço, por fatos existentes,
Pelas águas correntes,
Que passava por ti
E que agora deságua na primavera que tu és,
E é porque você é primavera hoje
Que eu sou outono sempre,
Para nos completarmos pelos anos
Para sermos todas as estações,
Para sermos frios no verão
E quentes no inverno,
E sermos aquilo que nos uni nesse dia inóspito
E distante que estamos um do outro.
Ainda queres meu beijo?
Ainda quer meu fogo?
Por que me indagas maldito amor?
Não percebe que o passado
Destrói, corrói e me machuca
Deixe-me voar, deixe-me ir
Liberta-me de tua sombra
Preciso partir....
Parta ti, não tenha medo e costume da vida,
Não tenha vida pelo medo de viver,
Não tenha medo de me perder.
Se te queres partir. Então parta ti
Em duas partes se possível,
Mas deixe uma delas para me completar no final
De minha vida, pois se formos nos casar,
Que eu tenha pelo menos a metade do
Seu beijo para levar com a morte .
Cabelos brancos,
Corpo pouco esguio,
Pouca força,
Mas casados...
Fique com minha outra parte, minha outra metade,
Fique também com meu silêncio
Que eternamente gritará de amor
Nas entranhas da Terra.
Amo-te como nunca amei ninguém,
Desfaleço-me, esqueço de mim e do tempo...
Deixo contigo um beijo, uma lágrima e um murmúrio de Adeus...
Eh, eu acho que casaremos juntos
Talvez unidos,
Talvez juntos e unidos,
Eu com a sua metade e você dormindo.
Cecílio Purcino e Rui Cortes
O amor impossível, entre um homem mais velho e uma garota menor de idade
Eu acho que casaremos juntos,
Talvez unidos,
Talvez juntos e unidos,
Talvez nos casemos.
Cabelos brancos,
Corpo pouco esguio,
Pouca força,
Mas casados.
Sim, sempre me arrependi de ter te deixado passar
Como o rio que sempre passa, passa e passa
E de nunca ter aceitado o sabor da carne que tanto amo,
Os delírios constantes que tanto tenho,
E a beleza que tanto me atrai
E que dá movimento de mais aos corpos.
De repente nem me conheço mais,
O espelho que outrora refletia uma face jovem
Agora soletra um homem de algumas primaveras
Pouco feliz, muito feliz, amado, odiado
Contraditório em mim e nos outros.
Insisto no amor
Porque acredito nos lábios que me tocam,
Me deliram,
Me fascinam,
Mas eu te reconheço, por fatos existentes,
Pelas águas correntes,
Que passava por ti
E que agora deságua na primavera que tu és,
E é porque você é primavera hoje
Que eu sou outono sempre,
Para nos completarmos pelos anos
Para sermos todas as estações,
Para sermos frios no verão
E quentes no inverno,
E sermos aquilo que nos uni nesse dia inóspito
E distante que estamos um do outro.
Ainda queres meu beijo?
Ainda quer meu fogo?
Por que me indagas maldito amor?
Não percebe que o passado
Destrói, corrói e me machuca
Deixe-me voar, deixe-me ir
Liberta-me de tua sombra
Preciso partir....
Parta ti, não tenha medo e costume da vida,
Não tenha vida pelo medo de viver,
Não tenha medo de me perder.
Se te queres partir. Então parta ti
Em duas partes se possível,
Mas deixe uma delas para me completar no final
De minha vida, pois se formos nos casar,
Que eu tenha pelo menos a metade do
Seu beijo para levar com a morte .
Cabelos brancos,
Corpo pouco esguio,
Pouca força,
Mas casados...
Fique com minha outra parte, minha outra metade,
Fique também com meu silêncio
Que eternamente gritará de amor
Nas entranhas da Terra.
Amo-te como nunca amei ninguém,
Desfaleço-me, esqueço de mim e do tempo...
Deixo contigo um beijo, uma lágrima e um murmúrio de Adeus...
Eh, eu acho que casaremos juntos
Talvez unidos,
Talvez juntos e unidos,
Eu com a sua metade e você dormindo.
domingo, 23 de maio de 2010
Formula poética
de Cecílio Purcino
O poema é a expressão matemática
Mais bela que já vi em toda minha vida.
Com ele podemos somar amores, subtrair rancores,
Multiplicar amizades e dividir felicidades.
Podemos montar a inércia de nossa vida estática,
Calcular a força centrípeta que age dentro de nós,
Acharmos as coordenadas da reta que devemos
Seguir na vida e na morte, contudo após a morte,
E multiplicarmos as juras de amor e promessas compostas.
Ele é o desconto não contado de uma vida não falada,
É a taxa equivalente de nós que desatam em
Funções modulares do ser imutável de
Áreas e volumes constantes que somos.
É o produto notável de uma relação
Métrica entre dois amores.
É a teoria de todos os conjuntos e todos os rancores,
É a lei de ação e reação,
A força normal da mais
Normal força atraente dos corpos.
São as leis de Newton se expressando
De várias maneiras do momento.
O poema,
É o triangulo amoroso entre a, b e c,
O anseio de uma hipotenusa,
A somatória de alguns catetos,
O multiplicar de nossos dedos
E o entrelaçar de nossas mãos.
É a visão exponencial de cada sentimento,
A relação entre corpos,
A razão entre o desejo e a vontade,
A álgebra momentânea de todos demonstrados
Nas mais raras expressões geométricas.
É quando fatoramos os limites do
Nosso consciente ciente de tudo que
Há entre nós e retalhos
E derivamos nossos problemas até dar zero.
É a matriz quadrada de inúmeros desejos,
Equações do primeiro, segundo,
Terceiro grau até aos quarenta de febre,
Fogo de viver, de se expressar em forma
Mitológica através dos cálculos cartesianos.
É o binômio afetuoso de Newton e Beatriz, Tales e Pitágoras
É Bhaskara, regra de três, de dois
E até de um pensar mais simples.
É vida somada,
É a fúria multiplicada,
É dúvida dividida,
É Amor no quociente,
É a grande esfera da vida dimensionada
Em uma escala de tempo sem fim.
O poema é a expressão matemática
Mais bela que já vi em toda minha vida.
Com ele podemos somar amores, subtrair rancores,
Multiplicar amizades e dividir felicidades.
Podemos montar a inércia de nossa vida estática,
Calcular a força centrípeta que age dentro de nós,
Acharmos as coordenadas da reta que devemos
Seguir na vida e na morte, contudo após a morte,
E multiplicarmos as juras de amor e promessas compostas.
Ele é o desconto não contado de uma vida não falada,
É a taxa equivalente de nós que desatam em
Funções modulares do ser imutável de
Áreas e volumes constantes que somos.
É o produto notável de uma relação
Métrica entre dois amores.
É a teoria de todos os conjuntos e todos os rancores,
É a lei de ação e reação,
A força normal da mais
Normal força atraente dos corpos.
São as leis de Newton se expressando
De várias maneiras do momento.
O poema,
É o triangulo amoroso entre a, b e c,
O anseio de uma hipotenusa,
A somatória de alguns catetos,
O multiplicar de nossos dedos
E o entrelaçar de nossas mãos.
É a visão exponencial de cada sentimento,
A relação entre corpos,
A razão entre o desejo e a vontade,
A álgebra momentânea de todos demonstrados
Nas mais raras expressões geométricas.
É quando fatoramos os limites do
Nosso consciente ciente de tudo que
Há entre nós e retalhos
E derivamos nossos problemas até dar zero.
É a matriz quadrada de inúmeros desejos,
Equações do primeiro, segundo,
Terceiro grau até aos quarenta de febre,
Fogo de viver, de se expressar em forma
Mitológica através dos cálculos cartesianos.
É o binômio afetuoso de Newton e Beatriz, Tales e Pitágoras
É Bhaskara, regra de três, de dois
E até de um pensar mais simples.
É vida somada,
É a fúria multiplicada,
É dúvida dividida,
É Amor no quociente,
É a grande esfera da vida dimensionada
Em uma escala de tempo sem fim.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
domingo, 7 de março de 2010
Eterna criança no ser
de Cecílio Purcino
Hoje pela manhã tive uma conversa com Deus.
Estava revoltado pela versão renovada da Terra.
Olhei para o céu, onde sua casa se faz nuvens e estrelas
E os pássaros a serem campainhas com voz de cordeiro que tu és,
E chamei a divina trindade pela excelência que são.
Presença potencial da ciência,
Eis me aqui na terra e vós em toda parte,
Veja eu, que de Ti chamas pelo mundo
A fazer mortos pelos cantos
Água pelos sábios e fome pela vida,
Estou aqui no olhar para ouvir de vós que são três.
O ar continuou inerte,
Os grãos de areia relutaram
Em se movimentar pelo solo,
E as árvores balançaram não mais do que deviam.
Nada mudou ao meu redor,
O criador não escutara a criatura.
E mesmo sem me dar a plena atenção,
Comecei a rosnar palavras
Pelo fútil da vida e à sombra da morte.
Queria saber o porquê
De tantas nuvens no céu,
De tantos rastros no chão,
De tantas estrelas no universo
De tanto ódio em canção.
De tanto sangue até ser em coágulos,
Por vínculos perdidos,
De tanto serem centrifugados
Para parecerem unidos.
Foi então, que o vento esbarrou se em mim como a permitir-me
O direito entre os homens e a justiça entre os aflitos
De conversar com a terceira pessoa do volátil.
E do verbo me fiz frases!
Revoltado, esbocei-me em palavras e literatura,
E disse para ele encarando em seus olhos -
Que são feitos com o brilho do sol e a relva da noite:
Ah, se eu pudesse usar seus corpos -
Potência, Ciência e Presença -
Consertaria no mundo os seus erros,
E começaria por tudo nesse mundo.
Não vi de Ti a plena sabedoria
De que tanto falam de Ti,
De que tanto de Ti evola,
De que tanto de Ti abusam,
De que tanto de Ti não cri e nem criei.
E de que tanto de Ti...
Ah, de que tanto de ti preciso
Para mudar o mundo que vejo.
Mas o mundo para Ti é
Muito complexo para o meu gosto.
Tudo muito misturado, água e terra,
Tudo muito misturado, ar e fogo
E nada de objetivo.
Tudo muito diferente para ser tudo muito igual.
O igual é que resolve tudo.
Se for para eu pontuar os seus erros de criação
Começaria logo pelo planeta.
Aproveitou-se da tinta do cosmo e da massa do cronos
Para misturarmos até tecer a todos.
Que falta de criatividade!
Qualquer um com a potência que Tens de criar
Poderia muito bem criar da forma que se foi criado,
Era apenas pegar a receita de vida e de amor
Que existe em todos e misturar-se em tudo.
Mas esse mundo sem voz não muda, nada muda,
Salvo as pessoas é claro, que de mudas se fazem e não são.
Se eu fosse Ti, na santíssima trindade e verbo no ser,
Teria feito a Terra com mais criatividade.
Teria feito toda de água por exemplo.
Sim, um mundo todo d’água.
As ruas, as casas, as árvores,
Os postes, as luzes,
Os gatos, os cães, o caos,
Os secos rios e os rios sujos que hoje são feitos
D’tudo menos d’água,
As rochas e as matas.
Os seres seriam claros em sua essência
E límpidos como os riachos
Que vão à beira das estradas,
Como as gotas do orvalho,
Como a brisa da noite,
E como a relva das praias.
Seria fácil amar em toda parte,
Pois os desertos não existiriam
E seus cristais de areia se dissolveriam
Como éter na água,
Para fazer-se aroma e perfumes.
As d’unas? Seriam d’águas,
E os homens fundiriam com os outros homens
Para sentir o prazer de ser o outro
Ou de ter o outro dentro de si
A fazerem-se tudo compressa de água quente.
Mas, tudo de água é tudo muito
Flácido, flexível, muito instável.
Onde estaria a fortaleza das plantas,
A rigidez das rochas e as posições firmes dos homens?
O mundo seria um éter no verbo do nada.
Seria melhor um mundo feito todo de ar.
Porque o igual que é importe,
E repito com maior firmeza e clareza,
O diferente é que desatam entre nós as brigas.
Tudo seria feito de ar!
O Mar desfaria em cinzas de vento
E tornados de emoções para
Fazer da relva da noite e orvalho
Das plantas, brisa e canção.
Não precisaríamos de estradas,
Não precisaríamos de roupas,
E de casas para trancafiarmos
A verdade que há entre quatro paredes.
Seriamos todos do mesmo pai,
Seriamos transparentes como devemos ser,
Seriamos ar,
E íamos ser voláteis, sensíveis,
E tudo seria melhor - pois no ar as
Mascaras não se sustentam por si,
E tudo ser ia ser infinito.
Ser-e- ar seriam,
O Sopro divino
O Hálito almejado,
O Vento soprado.
Não existiria o vácuo, não existiria a luz
Não existiria a cor que nos molda,
E a beleza que seduz.
E o mundo feito somente de ar
Seria tornado de erros.
Então deveria ser todo de terra.
Tudo seria feito de constante terra,
Tudo seria de areia,
E assim os seres humanos
Não chamariam humanos,
Mas sim sereias.
As d’unas? Continuariam d’unas e não d’águas,
E as geleiras, desaguariam em grãos da imortalidade.
O ar? Não existiria o ar, tudo seria constante e maciço,
Seria um bloco, seria um..., seria uma..., seria caixa fechada,
Ninguém se ver-ia.
Mas todos se trincariam muito fácil,
Quebrar-se-iam por vezes ou outra
E por qualquer coisa.
Atritariam conforme a música,
Conforme a fome
Conforme a sede,
Conforme com a vida que leva,
Conforme que somos, rochas e pedras.
E tudo seria uma extrema rigidez.
O mundo deveria mesmo então,
Era ser feito de puro fogo.
Tudo a se queimar pelos cantos,
Oxigênio a entrar em combustão,
Sabedoria eterna no ódio e no amor,
E cabeças em labaredas feitas
Em guilhotina de traição.
O combustível da paixão
Seria éter no ar para ser fogo na vida,
E tudo seria purificado.
As chamas seriam vida vivida,
E o presente, chamas passadas
Pela frente de nossas caras,
Por fora do corpo, e não por dentro de nós,
E viveríamos aquecidos somente
Pelo fogo eminente
Que emana da eterna
Consciência de ser.
Não existiriam queimadas pelas florestas,
Pois não precisaríamos de carvão
Para aquecermos os corpos na noite frívola da diversão.
Não existiria a distinção do branco, nem do preto
Nem do escuro como sou e nem do claro como são,
Apenas a cor da verdade de sermos
Essas chamas extintas em nós mesmos.
Mas com fogo, tudo passaria,
Nada seria permanentemente eterno.
Tudo seria eterna mudança, e as lembranças de minha
Juventude perdida em tempos de alegrias noturnas
Seria esquecimento.
De repente uma criança passou por mim a correr pela rua,
Não se deu muitos metros e
Seus joelhos foram de encontro a Terra.
A Água saiu pelos seus olhos,
O Ar se fez berros em arranjos
E o Fogo abrasou seu coração a procura da mãe.
Ela se aproximou da criança de Deus,
Abaixou-se e levantou-o todo inocente.
O fez um carinho todo maternal,
E naquele momento, pude ter certeza que
O mundo se fez em perfeita harmonia.
Tudo estava certo em seu fluxo.
O Ar, a tomar o seu lugar nos pulmões ofegantes,
A Água, em seus olhos em forma arco - íris,
O Fogo, em seu coração aquecido,
E a Terra, a fazer porto seguro no colo materno.
Tudo era eterno amor.
No mesmo instante, o raio do sol
Chicoteou as pétalas das rosas
E o pólen nutriu-se do eterno ar do dia,
Que agora se faz éter na vida.
Percebi que não era Deus que tinha errado,
Era eu, como homem que sou, errei no pensar.
Hoje pela manhã tive uma conversa com Deus.
Estava revoltado pela versão renovada da Terra.
Olhei para o céu, onde sua casa se faz nuvens e estrelas
E os pássaros a serem campainhas com voz de cordeiro que tu és,
E chamei a divina trindade pela excelência que são.
Presença potencial da ciência,
Eis me aqui na terra e vós em toda parte,
Veja eu, que de Ti chamas pelo mundo
A fazer mortos pelos cantos
Água pelos sábios e fome pela vida,
Estou aqui no olhar para ouvir de vós que são três.
O ar continuou inerte,
Os grãos de areia relutaram
Em se movimentar pelo solo,
E as árvores balançaram não mais do que deviam.
Nada mudou ao meu redor,
O criador não escutara a criatura.
E mesmo sem me dar a plena atenção,
Comecei a rosnar palavras
Pelo fútil da vida e à sombra da morte.
Queria saber o porquê
De tantas nuvens no céu,
De tantos rastros no chão,
De tantas estrelas no universo
De tanto ódio em canção.
De tanto sangue até ser em coágulos,
Por vínculos perdidos,
De tanto serem centrifugados
Para parecerem unidos.
Foi então, que o vento esbarrou se em mim como a permitir-me
O direito entre os homens e a justiça entre os aflitos
De conversar com a terceira pessoa do volátil.
E do verbo me fiz frases!
Revoltado, esbocei-me em palavras e literatura,
E disse para ele encarando em seus olhos -
Que são feitos com o brilho do sol e a relva da noite:
Ah, se eu pudesse usar seus corpos -
Potência, Ciência e Presença -
Consertaria no mundo os seus erros,
E começaria por tudo nesse mundo.
Não vi de Ti a plena sabedoria
De que tanto falam de Ti,
De que tanto de Ti evola,
De que tanto de Ti abusam,
De que tanto de Ti não cri e nem criei.
E de que tanto de Ti...
Ah, de que tanto de ti preciso
Para mudar o mundo que vejo.
Mas o mundo para Ti é
Muito complexo para o meu gosto.
Tudo muito misturado, água e terra,
Tudo muito misturado, ar e fogo
E nada de objetivo.
Tudo muito diferente para ser tudo muito igual.
O igual é que resolve tudo.
Se for para eu pontuar os seus erros de criação
Começaria logo pelo planeta.
Aproveitou-se da tinta do cosmo e da massa do cronos
Para misturarmos até tecer a todos.
Que falta de criatividade!
Qualquer um com a potência que Tens de criar
Poderia muito bem criar da forma que se foi criado,
Era apenas pegar a receita de vida e de amor
Que existe em todos e misturar-se em tudo.
Mas esse mundo sem voz não muda, nada muda,
Salvo as pessoas é claro, que de mudas se fazem e não são.
Se eu fosse Ti, na santíssima trindade e verbo no ser,
Teria feito a Terra com mais criatividade.
Teria feito toda de água por exemplo.
Sim, um mundo todo d’água.
As ruas, as casas, as árvores,
Os postes, as luzes,
Os gatos, os cães, o caos,
Os secos rios e os rios sujos que hoje são feitos
D’tudo menos d’água,
As rochas e as matas.
Os seres seriam claros em sua essência
E límpidos como os riachos
Que vão à beira das estradas,
Como as gotas do orvalho,
Como a brisa da noite,
E como a relva das praias.
Seria fácil amar em toda parte,
Pois os desertos não existiriam
E seus cristais de areia se dissolveriam
Como éter na água,
Para fazer-se aroma e perfumes.
As d’unas? Seriam d’águas,
E os homens fundiriam com os outros homens
Para sentir o prazer de ser o outro
Ou de ter o outro dentro de si
A fazerem-se tudo compressa de água quente.
Mas, tudo de água é tudo muito
Flácido, flexível, muito instável.
Onde estaria a fortaleza das plantas,
A rigidez das rochas e as posições firmes dos homens?
O mundo seria um éter no verbo do nada.
Seria melhor um mundo feito todo de ar.
Porque o igual que é importe,
E repito com maior firmeza e clareza,
O diferente é que desatam entre nós as brigas.
Tudo seria feito de ar!
O Mar desfaria em cinzas de vento
E tornados de emoções para
Fazer da relva da noite e orvalho
Das plantas, brisa e canção.
Não precisaríamos de estradas,
Não precisaríamos de roupas,
E de casas para trancafiarmos
A verdade que há entre quatro paredes.
Seriamos todos do mesmo pai,
Seriamos transparentes como devemos ser,
Seriamos ar,
E íamos ser voláteis, sensíveis,
E tudo seria melhor - pois no ar as
Mascaras não se sustentam por si,
E tudo ser ia ser infinito.
Ser-e- ar seriam,
O Sopro divino
O Hálito almejado,
O Vento soprado.
Não existiria o vácuo, não existiria a luz
Não existiria a cor que nos molda,
E a beleza que seduz.
E o mundo feito somente de ar
Seria tornado de erros.
Então deveria ser todo de terra.
Tudo seria feito de constante terra,
Tudo seria de areia,
E assim os seres humanos
Não chamariam humanos,
Mas sim sereias.
As d’unas? Continuariam d’unas e não d’águas,
E as geleiras, desaguariam em grãos da imortalidade.
O ar? Não existiria o ar, tudo seria constante e maciço,
Seria um bloco, seria um..., seria uma..., seria caixa fechada,
Ninguém se ver-ia.
Mas todos se trincariam muito fácil,
Quebrar-se-iam por vezes ou outra
E por qualquer coisa.
Atritariam conforme a música,
Conforme a fome
Conforme a sede,
Conforme com a vida que leva,
Conforme que somos, rochas e pedras.
E tudo seria uma extrema rigidez.
O mundo deveria mesmo então,
Era ser feito de puro fogo.
Tudo a se queimar pelos cantos,
Oxigênio a entrar em combustão,
Sabedoria eterna no ódio e no amor,
E cabeças em labaredas feitas
Em guilhotina de traição.
O combustível da paixão
Seria éter no ar para ser fogo na vida,
E tudo seria purificado.
As chamas seriam vida vivida,
E o presente, chamas passadas
Pela frente de nossas caras,
Por fora do corpo, e não por dentro de nós,
E viveríamos aquecidos somente
Pelo fogo eminente
Que emana da eterna
Consciência de ser.
Não existiriam queimadas pelas florestas,
Pois não precisaríamos de carvão
Para aquecermos os corpos na noite frívola da diversão.
Não existiria a distinção do branco, nem do preto
Nem do escuro como sou e nem do claro como são,
Apenas a cor da verdade de sermos
Essas chamas extintas em nós mesmos.
Mas com fogo, tudo passaria,
Nada seria permanentemente eterno.
Tudo seria eterna mudança, e as lembranças de minha
Juventude perdida em tempos de alegrias noturnas
Seria esquecimento.
De repente uma criança passou por mim a correr pela rua,
Não se deu muitos metros e
Seus joelhos foram de encontro a Terra.
A Água saiu pelos seus olhos,
O Ar se fez berros em arranjos
E o Fogo abrasou seu coração a procura da mãe.
Ela se aproximou da criança de Deus,
Abaixou-se e levantou-o todo inocente.
O fez um carinho todo maternal,
E naquele momento, pude ter certeza que
O mundo se fez em perfeita harmonia.
Tudo estava certo em seu fluxo.
O Ar, a tomar o seu lugar nos pulmões ofegantes,
A Água, em seus olhos em forma arco - íris,
O Fogo, em seu coração aquecido,
E a Terra, a fazer porto seguro no colo materno.
Tudo era eterno amor.
No mesmo instante, o raio do sol
Chicoteou as pétalas das rosas
E o pólen nutriu-se do eterno ar do dia,
Que agora se faz éter na vida.
Percebi que não era Deus que tinha errado,
Era eu, como homem que sou, errei no pensar.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
O colecionador de Selos
de Cecílio Purcino
Tudo começou, quando entrei para trabalhar em uma instituição de ensino. Uma dessas instituições que ajudam os meninos a passarei em concursos. Sim, tudo começou nesse dia. O dia era como outro qualquer. O sol radiando focos de luz por todos os lados, as ruas movimentadas, o ritmo característico de cidade grande. As pessoas conversavam de suas dificuldades, outras riam de suas alegrias e várias choravam de suas tristezas e eu...E eu? Eu simplesmente estava vivendo um dia normal, ate o vê-lo. Sim, passando pelo enorme corredor das pinturas absurdas – assim que eu as chamava, pois até aquele dia não sabia o que era saber de sentimento - na sala de um amigo, algo chamas em mim a atenção. Em sua mesa cheia de lápis, e clipes destroçados pelo seu nervosismo ao conversar com pais de alunos, eu vejo em sua mesa uma correspondência. Ainda não tinha notado que não era o tamanho do envelope que me chamara à atenção, nem a letra forjada naquele grande envelope amarelo. O que eu realmente notara, era um pequeno Selo. Sim, um pequeno Selo, indicador de uma carta simples. Não tinha detalhes, não tinha cores vivas, e nem cores mortas, não tinha vida, era apenas apagado. Talvez fosse isso que me chamasse tanto atenção. Como um colecionador de selos que sou, até aquele momento, só tinha atração por selos vistosos, belos, que possuíam detalhes singulares e que para muitos, seriam valiosos pela sua beleza e não pela sua real importância. Esse Selo era diferente. Primeiro... veio à vontade de conhecê-lo, ver os seus detalhes quase inexistentes, a suas formas de ser, suas cores iguais a todas as outras cores, seu intuito de existir, ver por debaixo de sua imagens e sentir o tipo de papel de que era feito. Depois, veio à ansiedade de desvendá-lo, saber de onde tinha surgido, de onde veio, o porquê estava ali, em uma simples sala, marcando um simples lugar, sendo apenas um Selo qualquer. Depois a vontade de velo todos os dias, tocá-lo nem que seja apenas um momento, sentir sua textura inóspita e ingênua, como muitos dos Selos que tinha em casa, sentir o seu cheiro comum e ainda olhar para ele. E por fim, Tê-lo e Selo. Tudo isso, senti em apenas um segundo, em apenas aquele momento em que andava pelos corredores das pinturas absurdas. Tinha que conseguir arrumar esse Selo para minha coleção.
Decidi ir atrás dele pelos correios para descobrir mais sobre ele. Não encontrara nada! Já era um ponto positivo, pois o valor de um Selo se da pelo simples fator de ser único, ser singular em sua forma, em seu existir, e ser dono apenas de uma carta. Procurei sua imagem pelo correio eletrônico, pontos de comércios clandestinos e novamente nada! Ele era o selo perfeito. Os selos que eu tinha conseguido para minha coleção, eram Selos para mim perfeitos, pela sua beleza, mas não pela sua raridade. Esse? Somente ele existia na praça e não estava à venda, estava para ser conquistado. E pelo que me parecia, seria difícil consegui-lo. Os dias se passaram e também à noite, elas? Eu as vi muito bem passar, não dormira pensando em uma estratégia para entrar na sala de documentos da escola e roubá-lo para mim. Sim roubá-lo, o que tem de errado nisso, era apenas um Selo, e pela sua importância que estava a se tornar em minha vida, tudo valeria a pena. Deixá-lo naquela sala jogado, sozinho, indefeso, onde outros colecionadores poderiam cobiçá-lo e tê-lo, talvez por um fútil momento e ainda sem eu dar para ele o seu real valor, seria falta de ética da minha parte. As coisas de valor são para ser valorizadas e não jogadas para todos, mas todos que tenha o seu devido merecimento.
Certo dia, passando um carteiro a entregar cartas pelas ruas, tive a repentina sensação de ter visto a mesma singularidade que vira na escola. O medo momentaneamente tomara conta de mim. Imaginemos que fosse o mesmo Selo, como agora poderia ser apenas eu a possuir tal sonho. No mesmo momento pensara eu que fosse criação da minha imaginação fértil. Estava talvez ficando obcecado. Talvez começara a ver em todas as partes sua imagem. Refleti melhor e deduzi que um selo desse valor, não ficaria a andar por ai dentro de um veículo de transporte tão simples a se mostrar para todos. Ainda mais, ser agora encontrado dentro da casa de muitos, muitos que nem ele mesmo o conhecia. Lógico, ele era apenas um selo e não pensava nisso. Depois da observação, vi que o fato era realidade, realmente ele estava ali, sendo entregue a outro. Não aceitei! Passei próximo, observei ponderadamente, e a verdade fincou o meu coração. Fui pra casa. Não podia aceitar! A noite foi longa e decepcionante. Pensei que talvez estariam duplicando esse mesmo tipo de selo por ai. Sendo vendido por migalhas, ou sendo trocado entre amigos. Trocado entre amigos.
No outro dia, imediatamente quando acordara da pequena noite em sono, fui as agências de correio que conhecia para ver se o encontrava. Conversei com vários colecionadores, alguns cambistas e outros qualquer, principalmente outros qualquer. Tinha recebido a pior notícia que poderia ter recebido. Vi com meus olhos o que não queria ver. Os correios já sabiam de sua existência e os colecionadores já o queriam tê-lo, e outros os já tinham tido e jogado fora. Muitos colecionadores, não são colecionadores de verdade, apenas desfrutam dos selos que possuem para dizer que já os tiveram e jogam fora. Talvez pareça que eu seja assim, mas até hoje de alguma maneira tenho os meus selos em casa, ou pelo menos em minhas lembranças.
Não importava mais, eu não o queria. Já não mais me valia, todos já o tinham. Pelo menos ao meu modo de ver, de enxergar as coisas como penso que são. Os dias cotidianos na escola voltaram a ser seguidos, depois de alguns meses, já não precisaram de meus conhecimentos na escola. Mas as noites eram difíceis de enfrentar. A frustração era grande, mas a vida de colecionar os selos tinha que continuar. Nesse período, ganhei tantos outros, e ainda tornei outros mais belos, mas nunca tive um tão singular quanto aquele. E hoje, eu vivo minha vida de errante e tento imaginar quantos colecionadores estão por ai, tentando ter o que um dia eu tive a oportunidade de possuir. E vivo!
Olho para o céu, uma manha ensolarada, carros pelas rua e pessoas pelas causadas, e a vida é bela.
Tudo começou, quando entrei para trabalhar em uma instituição de ensino. Uma dessas instituições que ajudam os meninos a passarei em concursos. Sim, tudo começou nesse dia. O dia era como outro qualquer. O sol radiando focos de luz por todos os lados, as ruas movimentadas, o ritmo característico de cidade grande. As pessoas conversavam de suas dificuldades, outras riam de suas alegrias e várias choravam de suas tristezas e eu...E eu? Eu simplesmente estava vivendo um dia normal, ate o vê-lo. Sim, passando pelo enorme corredor das pinturas absurdas – assim que eu as chamava, pois até aquele dia não sabia o que era saber de sentimento - na sala de um amigo, algo chamas em mim a atenção. Em sua mesa cheia de lápis, e clipes destroçados pelo seu nervosismo ao conversar com pais de alunos, eu vejo em sua mesa uma correspondência. Ainda não tinha notado que não era o tamanho do envelope que me chamara à atenção, nem a letra forjada naquele grande envelope amarelo. O que eu realmente notara, era um pequeno Selo. Sim, um pequeno Selo, indicador de uma carta simples. Não tinha detalhes, não tinha cores vivas, e nem cores mortas, não tinha vida, era apenas apagado. Talvez fosse isso que me chamasse tanto atenção. Como um colecionador de selos que sou, até aquele momento, só tinha atração por selos vistosos, belos, que possuíam detalhes singulares e que para muitos, seriam valiosos pela sua beleza e não pela sua real importância. Esse Selo era diferente. Primeiro... veio à vontade de conhecê-lo, ver os seus detalhes quase inexistentes, a suas formas de ser, suas cores iguais a todas as outras cores, seu intuito de existir, ver por debaixo de sua imagens e sentir o tipo de papel de que era feito. Depois, veio à ansiedade de desvendá-lo, saber de onde tinha surgido, de onde veio, o porquê estava ali, em uma simples sala, marcando um simples lugar, sendo apenas um Selo qualquer. Depois a vontade de velo todos os dias, tocá-lo nem que seja apenas um momento, sentir sua textura inóspita e ingênua, como muitos dos Selos que tinha em casa, sentir o seu cheiro comum e ainda olhar para ele. E por fim, Tê-lo e Selo. Tudo isso, senti em apenas um segundo, em apenas aquele momento em que andava pelos corredores das pinturas absurdas. Tinha que conseguir arrumar esse Selo para minha coleção.
Decidi ir atrás dele pelos correios para descobrir mais sobre ele. Não encontrara nada! Já era um ponto positivo, pois o valor de um Selo se da pelo simples fator de ser único, ser singular em sua forma, em seu existir, e ser dono apenas de uma carta. Procurei sua imagem pelo correio eletrônico, pontos de comércios clandestinos e novamente nada! Ele era o selo perfeito. Os selos que eu tinha conseguido para minha coleção, eram Selos para mim perfeitos, pela sua beleza, mas não pela sua raridade. Esse? Somente ele existia na praça e não estava à venda, estava para ser conquistado. E pelo que me parecia, seria difícil consegui-lo. Os dias se passaram e também à noite, elas? Eu as vi muito bem passar, não dormira pensando em uma estratégia para entrar na sala de documentos da escola e roubá-lo para mim. Sim roubá-lo, o que tem de errado nisso, era apenas um Selo, e pela sua importância que estava a se tornar em minha vida, tudo valeria a pena. Deixá-lo naquela sala jogado, sozinho, indefeso, onde outros colecionadores poderiam cobiçá-lo e tê-lo, talvez por um fútil momento e ainda sem eu dar para ele o seu real valor, seria falta de ética da minha parte. As coisas de valor são para ser valorizadas e não jogadas para todos, mas todos que tenha o seu devido merecimento.
Certo dia, passando um carteiro a entregar cartas pelas ruas, tive a repentina sensação de ter visto a mesma singularidade que vira na escola. O medo momentaneamente tomara conta de mim. Imaginemos que fosse o mesmo Selo, como agora poderia ser apenas eu a possuir tal sonho. No mesmo momento pensara eu que fosse criação da minha imaginação fértil. Estava talvez ficando obcecado. Talvez começara a ver em todas as partes sua imagem. Refleti melhor e deduzi que um selo desse valor, não ficaria a andar por ai dentro de um veículo de transporte tão simples a se mostrar para todos. Ainda mais, ser agora encontrado dentro da casa de muitos, muitos que nem ele mesmo o conhecia. Lógico, ele era apenas um selo e não pensava nisso. Depois da observação, vi que o fato era realidade, realmente ele estava ali, sendo entregue a outro. Não aceitei! Passei próximo, observei ponderadamente, e a verdade fincou o meu coração. Fui pra casa. Não podia aceitar! A noite foi longa e decepcionante. Pensei que talvez estariam duplicando esse mesmo tipo de selo por ai. Sendo vendido por migalhas, ou sendo trocado entre amigos. Trocado entre amigos.
No outro dia, imediatamente quando acordara da pequena noite em sono, fui as agências de correio que conhecia para ver se o encontrava. Conversei com vários colecionadores, alguns cambistas e outros qualquer, principalmente outros qualquer. Tinha recebido a pior notícia que poderia ter recebido. Vi com meus olhos o que não queria ver. Os correios já sabiam de sua existência e os colecionadores já o queriam tê-lo, e outros os já tinham tido e jogado fora. Muitos colecionadores, não são colecionadores de verdade, apenas desfrutam dos selos que possuem para dizer que já os tiveram e jogam fora. Talvez pareça que eu seja assim, mas até hoje de alguma maneira tenho os meus selos em casa, ou pelo menos em minhas lembranças.
Não importava mais, eu não o queria. Já não mais me valia, todos já o tinham. Pelo menos ao meu modo de ver, de enxergar as coisas como penso que são. Os dias cotidianos na escola voltaram a ser seguidos, depois de alguns meses, já não precisaram de meus conhecimentos na escola. Mas as noites eram difíceis de enfrentar. A frustração era grande, mas a vida de colecionar os selos tinha que continuar. Nesse período, ganhei tantos outros, e ainda tornei outros mais belos, mas nunca tive um tão singular quanto aquele. E hoje, eu vivo minha vida de errante e tento imaginar quantos colecionadores estão por ai, tentando ter o que um dia eu tive a oportunidade de possuir. E vivo!
Olho para o céu, uma manha ensolarada, carros pelas rua e pessoas pelas causadas, e a vida é bela.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
O tempo embebedou-se
de Cecílio Purcino
O tempo embebedou-se
Pegou uma garrafa de Château do vale no natal
E a tomou em três tempos.
Não deu outra e já estava cambaleando e tropeçando
Sobre tudo e a todos.
Ninguém reclamou de nada, pois o tempo é assim –
Sempre faz tudo e ninguém percebe.
Tempo depois ele estava comemorando a chegada do ano novo
Com duas taças de champagne Demoiselle
E uma de vinho seco.
Logo caiu de cama e ninguém viu mais falar do tempo.
Notícias e rumores só vieram dar-se do tempo no tempo de carnaval,
Quando o povo estava interessado em passar com o tempo,
Dançando, pulando, correndo e festando.
É a semana de carnaval e por isso o tempo é tão importante.
Sem perder tempo, o tempo novamente se embriagou,
Tomou toda cerveja que pode encontrar pela frente,
Comeu todos os petiscos e refinos que tinha direito
E entrou em coma.
O tempo parou no hospital da vida e ninguém mais via o tempo passar.
As pessoas só pensavam no tempo quando se lembravam
Das diversões, das brincadeiras e das emoções.
Não levou muito tempo e o tempo acordou, e dessa vez mais vivo.
Conforme o tempo foi passando pelas ruas, bairros, cidades e estados,
Ele foi deixando sua marca.
Era paixão desesperada, um sorriso que ele afagava,
A dama desiludida, o homem que prosperava,
A razão amargurada, o amor que aparecia, a morte que vingava
No barco que gemia, era a casa findada, era a festa arredia,
Era o encontro marcado, era a criança que nascia, no namoro ajeitado,
Na saudade que batia, eram parentes distantes, que tão pouco ele sabia,
Era o tempo brincando, bebedeira arredia.
Mas não deu muito tempo, e o tempo voltou
A trabalhar com seu relógio futurístico.
E o tempo trabalha...
Trabalha tanto que cansa
E depois descansa nas férias do meio do ano.
No Brasil, o tempo tem asas, ele voa, passa
Sem ninguém dar-se contas dele.
Ele passara por mim agora e nem percebi.
Bom, digamos que o tempo tem alguns gostos estranhos.
O tempo passa nos calçadões e corteja as mulheres,
E cumprimentam os homens, que logo cedo
Se embriagando de cappuccino –
Bebida fina que o tempo trouxe para satisfazer
As vontades desses que esqueceram de acordar para a vida.
O tempo não trouxe somente o cappuccino,
Ele trouxe as roupas, os chapéus, os charutos, os colares,
Os brincos, as maquiagens, as gargantilhas,
As penas plumagens, as blusas, as camisetas,
Camisa de botão, tecidos importados.
Trouxe também, as músicas, as poesias, os instrumentos,
Os copos, as xícaras, o plástico, o tecido biodegradável,
O ferro o aço, o lápis apontável, a comunicação, a decoração,
A impressão automática, a imagem na ação.
O tempo trouxe tudo, patenteou seu nome
Em cada exemplar e deu para seus filhos usarem.
O tempo é dono de tudo,
E apegado coisa nenhuma.
Ele gosta mesmo é de se embriagar
E ver-se passar pelo espelho da vida.
E novamente o tempo viaja, voa, passeia,
Caminha, com a minha vida,
E cassua, com a sua.
E ele passa agora cumprimentando
Maria e as crianças pela 12 de outubro
E rezando pelos mortos no cemitério, 2 de novembro.
E agora o tempo está novamente comemorando o natal,
E nem dei por mim que o tempo já tinha passado,
E que ele já iria se embriagar de novo e se esbarrar em mim,
Em ti e em tudo e a todos que puder para mostrar
Que ele nunca para, e que ele esta vivo.
O tempo embebedou-se
Pegou uma garrafa de Château do vale no natal
E a tomou em três tempos.
Não deu outra e já estava cambaleando e tropeçando
Sobre tudo e a todos.
Ninguém reclamou de nada, pois o tempo é assim –
Sempre faz tudo e ninguém percebe.
Tempo depois ele estava comemorando a chegada do ano novo
Com duas taças de champagne Demoiselle
E uma de vinho seco.
Logo caiu de cama e ninguém viu mais falar do tempo.
Notícias e rumores só vieram dar-se do tempo no tempo de carnaval,
Quando o povo estava interessado em passar com o tempo,
Dançando, pulando, correndo e festando.
É a semana de carnaval e por isso o tempo é tão importante.
Sem perder tempo, o tempo novamente se embriagou,
Tomou toda cerveja que pode encontrar pela frente,
Comeu todos os petiscos e refinos que tinha direito
E entrou em coma.
O tempo parou no hospital da vida e ninguém mais via o tempo passar.
As pessoas só pensavam no tempo quando se lembravam
Das diversões, das brincadeiras e das emoções.
Não levou muito tempo e o tempo acordou, e dessa vez mais vivo.
Conforme o tempo foi passando pelas ruas, bairros, cidades e estados,
Ele foi deixando sua marca.
Era paixão desesperada, um sorriso que ele afagava,
A dama desiludida, o homem que prosperava,
A razão amargurada, o amor que aparecia, a morte que vingava
No barco que gemia, era a casa findada, era a festa arredia,
Era o encontro marcado, era a criança que nascia, no namoro ajeitado,
Na saudade que batia, eram parentes distantes, que tão pouco ele sabia,
Era o tempo brincando, bebedeira arredia.
Mas não deu muito tempo, e o tempo voltou
A trabalhar com seu relógio futurístico.
E o tempo trabalha...
Trabalha tanto que cansa
E depois descansa nas férias do meio do ano.
No Brasil, o tempo tem asas, ele voa, passa
Sem ninguém dar-se contas dele.
Ele passara por mim agora e nem percebi.
Bom, digamos que o tempo tem alguns gostos estranhos.
O tempo passa nos calçadões e corteja as mulheres,
E cumprimentam os homens, que logo cedo
Se embriagando de cappuccino –
Bebida fina que o tempo trouxe para satisfazer
As vontades desses que esqueceram de acordar para a vida.
O tempo não trouxe somente o cappuccino,
Ele trouxe as roupas, os chapéus, os charutos, os colares,
Os brincos, as maquiagens, as gargantilhas,
As penas plumagens, as blusas, as camisetas,
Camisa de botão, tecidos importados.
Trouxe também, as músicas, as poesias, os instrumentos,
Os copos, as xícaras, o plástico, o tecido biodegradável,
O ferro o aço, o lápis apontável, a comunicação, a decoração,
A impressão automática, a imagem na ação.
O tempo trouxe tudo, patenteou seu nome
Em cada exemplar e deu para seus filhos usarem.
O tempo é dono de tudo,
E apegado coisa nenhuma.
Ele gosta mesmo é de se embriagar
E ver-se passar pelo espelho da vida.
E novamente o tempo viaja, voa, passeia,
Caminha, com a minha vida,
E cassua, com a sua.
E ele passa agora cumprimentando
Maria e as crianças pela 12 de outubro
E rezando pelos mortos no cemitério, 2 de novembro.
E agora o tempo está novamente comemorando o natal,
E nem dei por mim que o tempo já tinha passado,
E que ele já iria se embriagar de novo e se esbarrar em mim,
Em ti e em tudo e a todos que puder para mostrar
Que ele nunca para, e que ele esta vivo.
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